Receber a notícia de que um familiar foi preso é um dos momentos mais difíceis que uma família pode viver. O susto é natural, mas as primeiras horas depois da prisão em flagrante são decisivas: é nesse período que se colhe o depoimento na delegacia e que o juiz decide se a pessoa responde ao processo em liberdade ou presa.
Este guia explica, de forma simples, o que é a prisão em flagrante, quais são os direitos do preso e o que a família pode fazer desde já.
O que é a prisão em flagrante
A prisão em flagrante acontece quando a pessoa é surpreendida cometendo um crime, logo depois de cometê-lo, perseguida logo após o fato ou encontrada, pouco depois, com objetos que façam presumir que é a autora do crime (art. 302 do Código de Processo Penal).
Depois da prisão, a pessoa é levada à delegacia, onde o delegado ouve os envolvidos e lavra o auto de prisão em flagrante. Ser preso em flagrante não é uma condenação: é o começo de uma investigação, e a lei garante direitos desde o primeiro minuto.
O que fazer nas primeiras horas
- Descubra onde ele está. Procure saber em qual delegacia ou central de flagrantes a pessoa foi apresentada. Anote o nome completo dela, a delegacia e, se possível, o número da ocorrência.
- Procure um advogado criminalista o quanto antes. O advogado pode conversar reservadamente com o preso, acompanhar o depoimento na delegacia e ter acesso aos documentos já produzidos na investigação. Quanto antes ele entra no caso, mais chances de evitar erros que pesam depois.
- Lembre do direito ao silêncio. Se conseguir falar com o familiar, oriente-o a não dar explicações sobre o fato antes de conversar com um advogado. Ficar em silêncio é um direito garantido pela Constituição e não pode ser usado contra ele.
- Reúna documentos. RG, CPF, comprovante de residência, carteira de trabalho ou comprovante de renda, certidão de nascimento dos filhos e laudos médicos, se houver. Esses papéis mostram que a pessoa tem endereço fixo, trabalho e família, e ajudam muito no pedido de liberdade.
- Não exponha o caso. Evite publicar nas redes sociais, comentar o fato por mensagens ou procurar vítimas e testemunhas. Tudo isso pode prejudicar a defesa.
Quais são os direitos de quem é preso
- Saber o motivo da prisão e quem são os responsáveis por ela.
- Ter a prisão comunicada imediatamente ao juiz e à família ou a uma pessoa indicada por ele.
- Permanecer em silêncio.
- Ser assistido por um advogado e conversar com ele em particular.
- Receber, em até 24 horas, a nota de culpa, documento que informa o motivo da prisão e quem a realizou.
- Ter preservada sua integridade física e moral.
Se algum desses direitos não for respeitado, a prisão pode ser considerada ilegal.
A fiança pode ser paga na delegacia?
Em alguns casos, sim. O delegado pode fixar fiança quando a pena máxima do crime não passa de 4 anos (art. 322 do CPP). Paga a fiança, a pessoa é solta e responde ao processo em liberdade, cumprindo algumas obrigações. Nos demais casos, quem decide sobre a fiança é o juiz.
Alguns crimes não admitem fiança, como tráfico de drogas, tortura, racismo e crimes hediondos. Isso não significa que a pessoa ficará necessariamente presa: o juiz ainda pode conceder a liberdade provisória com outras medidas.
Como funciona a audiência de custódia
Em até 24 horas depois da prisão, o preso deve ser levado à presença de um juiz na chamada audiência de custódia (art. 310 do CPP). Participam o juiz, o promotor e o advogado ou defensor público. Nessa audiência, o juiz analisa se a prisão foi legal e pode:
- relaxar a prisão, se ela foi ilegal;
- conceder liberdade provisória, com ou sem fiança, podendo impor medidas como comparecer periodicamente em juízo, não sair da cidade, não manter contato com determinadas pessoas ou usar tornozeleira eletrônica;
- converter o flagrante em prisão preventiva, quando entende que os requisitos legais estão presentes e que outras medidas não são suficientes.
Chegar a essa audiência com um advogado preparado, com os documentos que mostram os vínculos da pessoa com a família, o trabalho e a cidade, faz diferença real na decisão.
E se a prisão for mantida?
Mesmo quando a prisão é convertida em preventiva, ainda existem caminhos. A defesa pode pedir a revogação da prisão quando surgirem fatos novos ou impetrar habeas corpus nos tribunais. A prisão preventiva não é pena e deve ser revista sempre que deixar de ser necessária.
Perguntas frequentes
Quanto tempo a pessoa pode ficar presa sem ver um juiz?
A audiência de custódia deve acontecer em até 24 horas depois da prisão.
A família pode pagar a fiança?
Sim. A fiança pode ser paga por familiares ou por outra pessoa em nome do preso.
O advogado pode atender de madrugada ou no fim de semana?
Sim. As delegacias de plantão funcionam 24 horas, e o advogado pode acompanhar o caso desde a apresentação na delegacia.
Preciso esperar a audiência para contratar um advogado?
Não. O ideal é que o advogado acompanhe o caso desde a delegacia, antes do depoimento e da audiência de custódia.
Atendimento 24 horas em Anápolis e Goiânia
Se um familiar seu foi preso, o escritório José Lobo Advogados atende em regime de plantão 24 horas, inclusive nos fins de semana e feriados, em Anápolis, Goiânia e região. Fale conosco pelo WhatsApp para receber orientação sobre o caso.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta a um advogado sobre o seu caso concreto.